Quem é o jovem maranhense recrutado para lutar na Ucrânia e que, segundo a mãe, morreu em combate

  • 03/08/2026
(Foto: Reprodução)
Maranhense diz que filho morreu na guerra da Ucrânia e quer resgate do corpo O maranhense Mateus Sandyel da Costa Campos, de 24 anos, que teria morrido na sexta-feira (31), durante um combate na guerra entre Ucrânia e Rússia, era natural de Açailândia, na Região Tocantina do Maranhão. Solteiro e sem filhos, ele chegou a cursar Engenharia Civil na Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), mas fez apenas um período do curso. A notícia da morte de Mateus foi divulgada no domingo (2) pela mãe dele, Diana Silva, por meio das redes sociais (veja, no vídeo acima, o relato da mãe). A informação teria sido repassada a ela por brasileiros que estavam com o jovem, mas, até a publicação da reportagem, nem o Ministério das Relações Exteriores nem o Exército da Ucrânia haviam confirmado a morte. Mais de 100 brasileiros morrem na guerra na Ucrânia, diz agência Diana relatou que o corpo do filho estaria em uma área de combate considerada de alto risco e sob controle das forças inimigas. Por causa das condições de segurança, os militares ainda não teriam conseguido retirar o corpo do local. Meses antes de ingressar no Exército ucraniano, Mateus compartilhava nas redes sociais registros de viagens e trabalhos realizados em diferentes lugares da Europa, como Amsterdã, na Holanda, cidades da Bélgica e Paris, na França. Depois o jovem viajou para a Ucrânia com a intenção de ser recrutado para atuar na guerra contra a Rússia. Segundo Diana, o filho se voluntariou para integrar as forças ucranianas em 26 de março deste ano. Ao g1, Diana Silva contou que o filho viajou após receber a promessa de uma bonificação pelo recrutamento e de um bom salário, em um contrato com duração de seis meses. No entanto, segundo ela, ao chegar à Ucrânia, Mateus encontrou uma realidade diferente da que havia sido apresentada antes da viagem. A mãe descreveu Mateus como uma pessoa inteligente, corajosa e dedicada à família. “Ele era um menino fora da curva. Era muito inteligente, com uma inteligência excepcional, um amor excepcional e um carinho excepcional. Por onde ele passava, era querido. Eu só podia admirá-lo. Eu só admirava o meu filho. Não o impedi, porque ele era homem, e eu admirava a sua coragem. Eu admirava o fato de o meu filho, tão jovem, ter assumido essa missão. Esse era o meu conforto: admirar a coragem dele. Mas eu não tinha noção de que ele passaria por isso. Meu filho era um menino muito bom e muito corajoso. Ele abdicou do conforto, da família e dos planos para lutar por outro país. Eu esperava que ele voltasse”, declarou. Diana também contou que admirava a decisão do filho de deixar o Brasil para lutar ao lado das forças ucranianas, embora não tivesse conhecimento dos riscos que ele enfrentaria durante a guerra. “Quando ele foi para aquele lugar, eu tinha confiança. Em nenhum momento fraquejei. Eu confiava que ele iria e voltaria. Como sempre falei, eu me orgulhava da coragem dele. Eu vibrava com a coragem do meu filho. Mas eu não tinha noção do perigo. Não tinha noção, não vou mentir para vocês. Eu não tinha noção da realidade. Só que meu filho me poupou muito. Ele me poupava de muitas notícias ruins”, relatou. Segundo a mãe, Mateus evitava falar sobre os momentos mais difíceis vividos na Ucrânia. Nas conversas com a família, ele tratava principalmente de assuntos cotidianos e dos planos para quando voltasse ao Brasil. Diana disse que esperava o retorno do filho e que faltavam cerca de dois meses para o encerramento do contrato dele. Ela afirmou ainda que Mateus teria passado por aproximadamente quatro meses de preparação antes de ser enviado para uma área de combate. “Eu esperava o meu filho voltar. Faltavam apenas dois meses para ele encerrar o contrato. Eu não imaginava que, enquanto ele ainda estava no período de experiência, já o colocariam na linha de frente”, afirmou. Leia também: Maranhense de 23 anos está desaparecido na Ucrânia, diz Embaixada do Brasil Maranhense recrutado pelo exército da Ucrânia sobrevive a bombardeio Soldado maranhense tem perna amputada ao pisar em mina na guerra da Ucrânia Maranhense ferido na guerra da Ucrânia contra a Rússia busca voltar ao Brasil, afirma mãe Meses antes de ingressar no Exército ucraniano, Mateus compartilhava nas redes sociais registros de viagens e trabalhos realizados em diferentes lugares da Europa Reprodução/Redes sociais Mãe diz que jovem morreu em combate Mateus Sandyel da Costa Campos, de 24 anos, se voluntariou para integrar as forças ucranianas no dia 26 de março deste ano. Divulgação/Redes sociais Mateus teria recebido cerca de quatro meses de treinamento e ainda estava em período de experiência quando foi enviado para uma área de combate. “Eu não imaginava que, enquanto ele ainda estava no período de experiência, já o colocariam na linha de frente. Como colocam um menino novo na linha de frente? Como fazem isso com uma pessoa que teve apenas quatro meses de treinamento?”, declarou Diana. A mãe afirmou que passou vários dias sem conseguir falar com o filho porque os militares teriam recolhido o telefone dele antes da missão. Durante esse período, ela disse que viveu momentos de tensão e preocupação. “Enquanto eu estava em comunicação com ele, estava tudo bem para mim. Mas, a partir do momento em que fiquei sem comunicação, passei a viver em tensão o tempo todo. Não conseguia dormir”, contou. Segundo Diana, ela percebeu que algo poderia ter acontecido ao ver fotos de Mateus publicadas por um amigo dele. Inicialmente, o militar não respondeu às perguntas da família. Depois, outro colega entrou em contato com uma das irmãs do jovem e comunicou a suposta morte. “Eu só fiquei sabendo porque um colega teve a compaixão de me comunicar”, disse a mãe. Diana relatou que os demais combatentes já sabiam do ocorrido, mas não teriam conseguido contar imediatamente à família. “Eu só fiquei sabendo que mataram o meu filho porque um colega avisou. Quando vi os stories de um amigo dele, vi várias fotos do meu filho e desconfiei. Esse amigo não falou nada. Ele estava se despedindo do meu filho por meio das fotos”, afirmou. Corpo estaria em área de risco Mateus Sandyel da Costa Campos, de 24 anos, se voluntariou para integrar as forças ucranianas no dia 26 de março deste ano. Divulgação/Redes sociais Conforme as informações recebidas pela família, o corpo de Mateus estaria em uma área sob controle inimigo e considerada de alto risco, o que dificultaria o resgate. A mãe afirmou que o Exército da Ucrânia ainda não reconheceu oficialmente a morte porque o corpo não teria sido retirado do local do confronto. Ela disse depender da ajuda dos companheiros de batalha do filho para que o resgate seja realizado. Segundo Diana, os soldados precisariam percorrer cerca de 30 quilômetros carregando o corpo até um ponto em que um veículo do batalhão pudesse buscá-lo e levá-lo para a base militar. Somente depois desse procedimento, de acordo com o relato recebido por ela, a morte poderia ser comunicada oficialmente. “Estou contando somente com a solidariedade dos amigos e dos companheiros de batalha dele para que possam resgatar o corpo do meu filho. Essa é a realidade”, declarou. Diana disse que pretende buscar auxílio do consulado brasileiro e de um advogado para entender quais procedimentos deverão ser adotados. Inicialmente, ela afirmou que desejava trazer o corpo para o Brasil, acompanhado da certidão de óbito. Depois, a mãe relatou ter recebido a informação de que o traslado seria difícil e teria um custo elevado. “Eu tenho que aguardar o resgate do corpo do meu filho. Enquanto isso, estou de mãos atadas. Não posso fazer nada”, lamentou. Uma das alternativas apresentadas à família seria o sepultamento de Mateus na Ucrânia, em um cemitério destinado aos militares mortos na guerra. “No Cemitério dos Heróis, onde são enterrados os soldados mortos na guerra, pelo menos haverá esse reconhecimento. Mas isso não tira o reconhecimento que ele já tem aqui. Meu filho é um herói. Lembrem-se dele como um herói. A mãe do herói está aqui. Eu sou a mãe do herói”, declarou. Alerta a outros brasileiros Durante o relato, Diana fez um alerta aos brasileiros que estejam pensando em viajar para participar da guerra. “Então, fica o alerta para qualquer outra pessoa que esteja pensando em ir para lá: não vá. Lidar com esse luto não é fácil. O consulado não faz nada. Eles não fazem nada”, afirmou. “Mãe nenhuma deveria passar pelo que estou passando. Eu não desejo essa dor para ninguém. Não sabia que passaria por essa dor tão cedo. Nenhuma mãe quer enterrar um filho. Eu não sabia, gente, que passaria por isso. Nunca esperava receber essa ligação.” Diana disse que pretende continuar buscando informações sobre o resgate e a liberação do corpo. “Eu só queria o meu filho. Era só isso que eu queria”, concluiu.

FONTE: https://g1.globo.com/ma/maranhao/regiao-tocantina/noticia/2026/08/03/quem-e-o-jovem-do-ma-recrutado-na-guerra-da-ucrania-e-que-mae-diz-que-morreu-em-combate.ghtml


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